O argumento que nenhum ateu consegue evitar, mesmo tentando

argumento transcendental para a existência de Deus
Getting your Trinity Audio player ready...
Por que toda negação de Deus depende de Deus para existir

Eu estava em uma livraria folheando um livro de filosofia quando ouvi um comentário vindo de outra sessão. Um rapaz falava sobre como a ciência explica tudo e como a moral muda conforme a sociedade evolui. A resposta da amiga foi rápida: “Há muito tempo essa coisa de Deus não faz mais sentido. A ciência e a razão são mais do que suficientes.”

Eles continuaram conversando enquanto caminhavam entre as prateleiras.

Com o tempo, percebi que as falas seguiam um padrão.

Eles afirmavam que Deus não existe, mas descreviam o mundo com elementos que só fazem sentido se Deus existe. Falavam de raciocínio confiável, de padrões estáveis na natureza, de valores que consideravam certos e errados. Usavam conceitos que pressupõem um universo ordenado, estável e moral.

Minha atenção se voltou para a forma como eles tratavam lógica, ciência e moral.

Eles tratavam lógica, ciência e moral como estruturas confiáveis, mas não reconheciam a base que sustenta essas estruturas.

O cenário cultural que torna essa discussão urgente

Situações como essa aparecem com frequência. A cultura discute política, ética, identidade, ciência e educação com intensidade, mas rejeita qualquer fundamento absoluto. Esse contraste se repete em vários temas. A busca por provas convive com a ideia de que não existe verdade objetiva. O uso constante do discurso de justiça convive com a negação de um padrão moral universal. A confiança na tecnologia convive com a afirmação de que o universo não tem direção.

O Argumento Transcendental para a Existência de Deus — o TAG, elaborado por Van Til e desenvolvido por Greg Bahnsen — aborda esse ponto. Ele não tenta conduzir você a Deus por meio de indícios empíricos. Ele mostra que você já depende de Deus para qualquer ato mental. Isso não aparece apenas como teoria. Ele descreve o modo como a experiência humana funciona.

Esse cenário pode ser observado na sociedade atual. O Pew Research Center registrou em 2023 um avanço dos “sem religião”, especialmente entre jovens adultos. A University of Oxford publicou em 2022 trabalhos sobre o uso de pesquisas cognitivas como explicação total para a racionalidade. O World Economic Forum, em 2024, identificou a perda de confiança em verdades fundamentais como um risco global. Esses dados mostram uma cultura que valoriza lógica, ciência e moral sem reconhecer a base que sustenta essas ideias.

O que o TAG realmente afirma

O TAG mostra que a estrutura do mundo e a estrutura da mente refletem a realidade de um Deus racional. Ele não funciona como uma hipótese entre outras. Ele descreve a base que torna qualquer hipótese possível. Quando você usa lógica, você adota leis que não mudam e que não dependem de opinião. Em discussões sobre ciência, você assume que a natureza mantém padrões estáveis. Em temas morais, você adota a ideia de que existe um padrão que não depende de preferências individuais.

Esses elementos não surgem de matéria ou de processos aleatórios. O universo físico não produz leis imateriais da lógica. A evolução não produz um padrão moral absoluto. Mutações aleatórias não garantem uma mente confiável para alcançar a verdade. Cada vez que alguém usa essas categorias, usa princípios que pertencem à forma como Deus estruturou a realidade.

Van Til chamou isso de “pressuposição”. Bahnsen descrevia a mesma ideia ao afirmar que a pessoa que nega Deus continua dependendo dEle para pensar, porque a racionalidade humana opera dentro da ordem criada por Deus. Essa dependência se manifesta em conversas cotidianas. As pessoas falam sobre incoerência, justiça, fatos, contradições, evidências e erros de interpretação. Cada uma dessas expressões parte do pressuposto de que existe algo objetivo que pode ser analisado.

Como a fé cristã oferece uma base coerente

Muitas discussões que parecem contrárias ao cristianismo usam conceitos ligados à tradição cristã sem reconhecer essa origem. Em declarações sobre injustiça, aparece a ideia de um padrão para avaliar ações humanas. Em argumentos baseados em lógica, surge a noção de uma estrutura racional que vale para todos. Em conversas sobre ciência, surge a expectativa de que o universo seja inteligível.

Essas ideias possuem uma fonte específica. A fé cristã afirma que Deus é racional, criou um mundo ordenado e sustenta esse mundo. O evangelho descreve a realidade na qual você vive. Essa descrição explica por que você consegue aprender, interpretar, analisar e compreender. Ela explica a estabilidade do mundo e a possibilidade de conhecimento confiável.

O TAG destaca essa coerência ao mostrar que você vive em um universo que faz sentido porque Deus o criou. Quando uma pessoa nega Deus, continua dependente de princípios que existem por causa de Deus. Essa dependência aparece quando alguém tenta construir uma narrativa sem esse fundamento.

Esse padrão pode ser visto em debates públicos, em redes sociais ou em ambientes acadêmicos. Algumas afirmações parecem sólidas, mas dependem de elementos que a própria posição da pessoa não explica. Isso revela uma limitação da cosmovisão adotada. Sem Deus, não existe sustentação final para lógica, moral e ciência.

O cristianismo apresenta uma explicação coerente para esses princípios. Ele afirma que Deus é o criador, que Cristo é o Logos e que o universo possui ordem acessível ao pensamento humano. Ele também afirma que existe certo e errado porque existe um legislador e que existe verdade porque existe uma mente infinita que fundamenta toda a realidade.

Três observações práticas para o seu dia a dia

Quero deixar três exercícios simples para o cotidiano. Eles ajudam a perceber estruturas de pensamento que passam despercebidas em muitas conversas. Uma delas é observar o uso da lógica como fundamento de um argumento. Outra é notar quando alguém recorre a termos morais como se fossem objetivos. Também é útil reparar quando alguém trata a ciência como se o universo mantivesse padrões estáveis. Esses movimentos mostram a presença de fundamentos que não surgem de um mundo limitado a si mesmo.

Enquanto eu caminhava pela livraria naquele dia, percebi que aquelas duas pessoas expressavam inquietações comuns. Elas buscavam coerência, explicações e sentido. Usavam palavras que indicavam confiança em princípios que sustentam a racionalidade humana. Esse tipo de situação mostra que a disposição humana para interpretar o mundo se apoia em fundamentos externos ao indivíduo. Esses fundamentos existem porque Deus existe.

Se esta carta ajudou você a enxergar esse ponto com mais clareza, compartilhe com alguém que se interessa por debates, filosofia ou teologia cristã. Essa reflexão pode abrir espaço para novas conversas e aprofundar sua compreensão sobre como a fé cristã ilumina toda a vida.

Compartilhe no: